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A HISTÓRIA - INÍCIO E OCASO DE UM CICLO VIRTUOSO
Fernão Gondin da Fonseca (1959-1965)No pós-guerra, o presidente da recém-criada Fundação Getúlio Vargas, Luiz Simões Lopes, procurava um local onde poderia ser instalado um educandário nos moldes de um que conhecera em viagem à Inglaterra. Era o Colégio Summerhill, em Leiston, no Condado de Suffolk, fundado em 1921 pelo educador Alexander Sutherland Neill. Esse colégio aplicava (e ainda aplica) um método de ensino baseado na liberdade e na responsabilidade dos alunos, em terreno amplo e distante de grandes centros urbanos. O Summerhill funciona até hoje e é considerado um colégio de vanguarda à frente de seu tempo.
Na mesma época, em 1946, por decreto do Presidente Eurico Dutra, o jogo de azar foi proibido no Brasil. Assim, a construção do que viria a ser o “Cassino Hotel Cascata” foi interrompida. Ficou, portanto, sem conclusão uma obra que pretendia, com o atrativo do jogo, dinamizar a cidade serrana de Nova Friburgo.
E foi então que, com o apoio da população e da prefeitura de Nova Friburgo, Luiz Simões Lopes idealizou aproveitar a construção para ali instalar um educandário inspirado no Summerhill.
Feitas as adaptações e concluída a construção, inaugurava-se, em 10 de março de 1950, o Ginásio Nova Friburgo - GNF.
O GNF (mais tarde, Colégio Nova Friburgo - CNF) tornou-se o mais avançado colégio de toda a América do Sul. Para ele, vinham professores de todo o Brasil a fim de aprender seus avançados métodos de ensino. O CNF fez com que, durante vários anos, Nova Friburgo se tornasse a capital do ensino no nosso País. A maioria dos professores morava no Colégio bem como grande parte dos funcionários. A FGV construiu mais de quarenta imóveis residenciais.
O Colégio dispunha de um grandioso Ginásio de Esportes que comportava duas quadras poliesportivas cobertas, vestiários e salas com material esportivo. Havia também duas piscinas, um campo de futebol e uma pista de atletismo para uso dos alunos.
A FGV colocou lá o que havia de mais moderno em material auxiliar de ensino fazendo do CNF um colégio de vanguarda.
No sítio de 1,6 milhões de metros quadrados havia uma granja que fornecia hortaliças, verduras, legumes, frangos, ovos, leite e diversas frutas para que a cozinha preparasse as refeições para mais de 400 pessoas todos os dias.
O Colégio ficou conhecido na cidade como “Fundação”. Ninguém, em Nova Friburgo, o conhecia como CNF. O nome da FGV ficava estampado bem no portal de entrada do CNF.
Com o correr dos tempos os internatos, em todo o Brasil, foram sendo desativados e infelizmente, por circunstâncias diversas, em 1977, encerrou-se a mais notável experiência pedagógica já havida no Brasil.
Esse enorme conjunto edificado ficou paralisado e fechado por muitos anos. Até que, por volta de 1990, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro UERJ se interessou pelo imóvel e a FGV o emprestou à universidade.
Ali passaram a existir cursos da área tecnológica até que em fevereiro de 2011 houve a catástrofe das chuvas na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro.
O Colégio teve alguns prédios danificados. Nada muito grande. Entretanto, a ladeira de acesso ficou severamente avariada. A UERJ saiu de lá, indo instalar-se em outro lugar, de modo que o complexo voltou a ficar sem uso.
Os ex-alunos, entretanto, não abandonaram a chama que mantém vivo o amor e o orgulho pelo CNF e todos os anos desfilam na parada de Sete de Setembro com seus cabelos brancos e com muita honra e muito garbo. A Associação de Ex-Alunos, Professores e Servidores do Ginásio/Colégio Nova Friburgo da Fundação Getúlio Vargas existe desde 1987 congregando aqueles que têm saudade e maravilhosas lembranças dos tempos em que lá viveram.
Por meio de reportagem fotográfica divulgada recentemente nas redes sociais, pôde-se ver que o Campus do CNF está totalmente abandonado, no ostracismo total.
Deixa-nos triste que um local tão bom e de tanta serventia para abrigar diversas novas atividades esteja neste estado de conservação, sofrendo acentuada desvalorização.
O ativo imobiliário do CNF é considerado Bem Patrimonial da cidade de Nova Friburgo, e requer cuidados permanentes de conservação.
A Associação, cuja diretoria foi recentemente mudada, e refletindo o clamor da comunidade que representa, espalhada por todo o País, vem declarar sua disposição em assumir o gerenciamento desses serviços, apresentando um rol de ofertas de colaboração que acredita ser capaz de executar com o propósito de impedir que todo o complexo imobiliário, tão precioso e com tanta história, venha a se perder para sempre.